Olá. Tenho visto que acontece uma coisa muito curiosa, principalmente nas famílias onde há uma criança com Dificuldade Alimentar. 

Quase sempre a criança não come com os pais.

É curioso, porque comer em família é altamente protetivo contra as Dificuldades Alimentares(DAs). 

Estranho, não?

Comer com os pais protege contra DAs, mas justo nestas famílias mais preocupadas com a alimentação das crianças as refeições não ocorrem com todos à mesa. 

Sempre me ocorre a pergunta:

Não comem juntos porque têm DA ou têm DA porque não comem juntos?

Vamos lá. 

A alimentação de um filho é algo que, no início da introdução alimentar, demanda muita atenção da mãe e talvez, por isto,  a mãe prefira sentar sozinha com seu filho e alimentá-lo, com atenção exclusiva. É possível que a criança, em algum momento,  tenha recusado a comida e, em razão disso, a mãe passou a dedicar atenção redobrada a este “procedimento” ( parece que, às vezes, alimentar o filho vira um procedimento mesmo). Outras vezes é tão estressante alimentar a criança que fica aparentemente mais fácil dar de comer primeiro à criança para depois os pais poderem sentar sossegados para comer (o que geralmente acaba não acontecendo).

O importante é que isto NÃO DÁ CERTO.

Crianças alimentadas fora do contexto da alimentação familiar, ou seja, que não comem à mesa com a família,  tendem a comer pior.

Pense, uma quantidade grande das crianças com DAs que comem mal em casa, acabam comendo melhor na escola. 

O motivo? Há menos pressão para comer, a criança está com os amiguinhos, pode conversar e se relacionar de forma divertida, além do que, passou um tempo sem comer nada entre as refeições, o que estimula o apetite (apesar de saber de escolas que oferecem alimentos para as crianças a cada 2 horas) e, finalmente, o horário de comer na escola é uma festa. Um banquete.

A refeição compartilhada é um dos fundamentos da vida familiar, e tem sido deixada de lado, ou porque é estressante ou por demandas da vida atual, onde não há tempo pra quase nada além do trabalho, da vida curricular e das redes sociais. 

Como costumo falar, a nutrição é apenas um dos aspectos da refeição. Quando o foco fica apenas no dar de comer, todos os outros aspectos da alimentação vão se perdendo, inclusive, pode haver piora na relação com a criança.

A refeição tem um caráter ritualístico. Neste momento passamos para nossos filhos a cultura da família. É quando contamos o que fizemos e escutamos o que as crianças têm para dizer de suas vidas também. Aprendemos a discutir sem ofender. A esperar, a respeitar, a desenvolver a paciência e a etiqueta. É quando paramos tudo, não estamos trabalhando, nem estudando, nem fazendo esporte e nem assistindo TV, nem no insta (será?).

Ao se reunir para comer, procure ter um espaço à mesa para seu filho, mesmo que ele coma uma comida diferente dos adultos. Evite o estresse, não brigue, não obrigue ou faça chantagem, foque na relação, não na comida. Desligue todas as telas ( tv, celular e tablet).

Comer em família é, também, um momento de construção da identidade da criança, melhor que seja com riso, conversa e prazer.

  E quanto a pergunta que eu me faço? Se DAs ocorrem porque não se come em família ou não se come em família porque há uma DA? 

Não há uma resposta geral, cada caso é um caso. Mas de uma coisa tenho certeza, ter momentos agradáveis em família protege contra muitas coisas.

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