Hora do jantar. Começou o estresse!

Marina (nome fictício) tem 4 anos, quase 5, passa o dia na escolinha. Seus pais trabalham bastante.

Às 17:30 a mãe de Marina a pega na escolinha, morrendo de saudades. E vão as 2 pra casa.

No caminho Marina ganha algumas bolachas, que come na cadeirinha do carro. Quando chegam em casa, brincam um pouco, depois Marina assiste televisão enquanto a mãe lhe dá, na boca, uma fruta picadinha. Marina fica distraída. A mãe faz alguma coisa na casa, não tem tempo para relaxar e prepara algo para o jantar. 

O pai chega as 19h30 e às 20h00 todos vão para a mesa jantar.

Pronto. Começou o estresse.

A mãe tenta dar o jantar para Marina, que se recusa a comer porque comeu as bolachas e a fruta há pouco tempo. Como sua filha não quis comer o que ela preparou, levanta e prepara outra coisa. Quem sabe coma o macarrão instantâneo, mas não dá certo.

Nesta altura o pai já está brigando com Marina. Ameaça, faz chantagem, diz que ela não vai sair da mesa enquanto não comer tudo. 

O relatório da escola diz que lá ela come bem, a mãe não acredita.

Pai irritado, mãe frustrada e Marina sem comer. Já que não comeu nada, ganha uma mamadeira reforçada após o banho para dormir.

Em algum momento desta narrativa você se identificou?

Infelizmente, isto é muito comum quando atendo crianças com Dificuldades Alimentares. 

Geralmente não há problemas físicos nestas crianças. Mas há um estresse grande na família. Esta qualidade negativa nas relações, neste momento, afeta o desenvolvimento da criança e até a relação dos pais.

Neste pequeno recorte clínico, o pai assume uma postura autoritária e a mãe indulgente. E nada funciona, Marina não come melhor por isto.

Parece que muitas coisas provocam ou agravam esta situação: a preocupação com a alimentação, o sentimento de culpa por ficar tanto tempo longe, o cansaço de um dia de trabalho, a frustração de preparar uma comidinha gostosa e a criança não comer e outras coisas que cada um pode estar acrescentando aqui.

Os pais ficam perdidos diante disto, não conseguem fazer diferente. Parece para eles, que este estresse é o natural.

A conduta nesse caso envolve um intervalo maior que estimule o apetite e também que o ambiente da refeição não seja tão tenso, bem como a possibilidade dos pais compartilharem com a criança a responsabilidade da alimentação  (veja no post sobre Responsabilidade Compartilhada).

É importante que os pais parem pra pensar sobre a situação e deixem de seguir uma rotina automática, mesmo porque, ela não está funcionando.

Alguns pais dizem que quando vai se aproximando o horário da comida, já começam a ficar estressados por antecipação, pois sabem o que vai se passar.

A função da refeição é muito mais que nutrir. É compartilhar a cultura da família, é afeto e diversão e, também, serve para nutrir.

2 comentários

  1. Olá! Eu me vi nesse texto! Estou desesperada, minha bebê de dois anos não come nada! Até 1 ano e três meses comia super bem, coloquei na escolinha e desandou! Agora não aceita nada vive doentinha! Eu passei por uma depressão pós parto que só comecei a tratar agora! Por que surtei e dai descobri que tive depressão pós parto! A hora de dar comida pra ela é uma tortura eu já não tenho paciência me culpo o tempo todo!

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    1. Oi Josiele, a depressão pós parto é muito comum e muitas vezes não dianosticada, pode trazer dificuldades na relação com a criança o que muitas vezes dificuldades alimentares. Pode sim ter relação com a Depressão Pós Parto, mas me parece que você não escolheu ter depressão, então pode ser importante pensar mai sobre a culpa. Existe também a possibilidade da dificuldade alimentar seja decorrente de algo com sua bebê. Acho que você deveria conversar bem com o seu pediatra. Espero queeu pssa ter ajudado. Obrigado pela sua mensagem, muitas mães passam por isto.

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